Sanguessugas e mensaleiros ...Eles querem voltar

Envolvidos em escândalos recuperam poder na direção dos partidos e são cotados para disputar as eleições municipais
Marcelo Rocha
Da equipe do Correio
 Políticos envolvidos em recentes escândalos querem retomar a vida pública. São ex-parlamentares denunciados por participar de esquemas de corrupção como o do mensalão e o da máfia das ambulâncias. A maioria não se reelegeu ou sequer concorreu nas eleições de 2006. Longe dos holofotes de Brasília, no entanto, eles se articulam para concorrer a prefeituras ou a vagas nas câmaras de vereadores em outubro.

No calendário da Justiça Eleitoral, o dia 5 de julho é a data limite para a indicação de quem concorrerá nas eleições municipais. Faltam ainda quatro meses, mas, desde o ano passado, alguns dos ex-congressistas denunciados se apresentaram como pré-candidatos. Não importa se carregam no currículo processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) ou em outras instâncias do Poder Judiciário.

A CPI dos Sanguessugas pediu o indiciamento de um grupo de 72 parlamentares por envolvimento na máfia que superfaturava a venda de ambulâncias. O Ministério Público Federal também acusou grande número de congressistas. Passados dois anos do escândalo, muitos deles tentam voltar a exercer cargos eletivos.

Pelo menos oito ex-parlamentares se apresentaram como pré-candidatos às eleições de 2008. Nilton Capixaba (PTB-RO) é um deles. O petebista responde a processo na 2ª Vara da Justiça Federal do Mato Grosso por envolvimento no esquema de fraudes em licitações públicas realizadas por prefeituras para a compra de ambulâncias.

Capixaba foi apontado por procuradores da República no estado e pelo relatório final da CPI dos Sanguessugas como suposto beneficiário de R$ 600 mil dos donos da empresa Planam – pivô das fraudes – e um dos principais articuladores do esquema de corrupção nos corredores do Congresso. Apesar do passado nebuloso, Capixaba se articula para tentar disputar a prefeitura de Cacoal, município onde autoridades identificaram fraudes atribuídas aos sanguessugas.

Ações penais no Judiciário não são suficientes para impugnar a inscrição de candidaturas, exceto se houver condenação com trânsito em julgado.Ou seja, enquanto existir possibilidade de recurso (ordinário ou extraordinário) à decisão judicial, eles estão livres para participar de eleições.

Candidaturas
Da turma que responde à ação penal do mensalão, Professor Luizinho (PT-SP) faz planos de se candidatar em 2008. Acusado de receber R$ 20 mil do esquema, o ex-deputado foi absolvido no plenário da Câmara, mas ainda enfrenta processo no STF. Agora, pensa em concorrer à Câmara Municipal de Santo André (SP). O também petista e ex-deputado João Magno (MG), apontado como destinatário de R$ 426 mil do dinheiro distribuído pelo empresário Marcos Valério, apresenta-se como pré-candidato à prefeitura de Ipatinga (MG), cidade já administrada por ele.

O prefeito da mineira Uberaba, Anderson Adauto (PMDB), está entre os 40 denunciados do mensalão. O peemedebista foi eleito para administrar a cidade em 2004, um ano antes de estourar o escândalo. Agora, o ex-ministro dos Transportes terá de enfrentar a repercussão do caso se quiser concorrer à reeleição. O prefeito não admite a possibilidade, mas tem sido pressionado pelo partido a se candidatar.

Existe também uma ala de ex-parlamentares metidos em escândalos de corrupção que conseguiram manter prestígio dentro de seus partidos. É o caso de José Janene (PR), apontado pelo Ministério Público Federal como beneficiário do dinheiro do mensalão. Absolvido pela Câmara, mas réu no STF, Janene é o primeiro-tesoureiro do PP. Pedro Corrêa (PE), cassado pelos colegas deputados devido ao mesmo esquema, e o ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PE), que renunciou ao mandato em 2005 para escapar de cassação, também são integrantes da executiva do PP.

Quem também continua a ter importância na máquina partidária é Jacinto Lamas, acusado de ser um dos intermediários da propina distribuída pelo empresário Marcos Valério ao então PL (hoje PR), partido do deputado Valdemar Costa Neto (SP). Lamas é um dos integrantes do diretório nacional da legenda. Cassado pela Câmara dos Deputados e inelegível até 2016, por causa do mensalão, Roberto Jefferson (RJ) nunca deixou de comandar o PTB. Denunciado pela CPI dos Sanguessugas, por suposta participação na máfia das ambulâncias, o ex-deputado Jonival Lucas Júnior é presidente regional do PTB na Bahia.

O ex-deputado Carlos Dunga, outro denunciado pela CPI dos Sanguessugas, aproveitará a licença de 120 dias do senador Cícero Lucena (PSDB-PB) para tentar reconquistar prestígio em seu estado. Primeiro suplente de Lucena, ele aproveitará a interinidade no Senado para voltar a comandar o PTB paraibano.

O ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB), atingido em cheio pelas denúncias de irregularidades na compra de ambulâncias, continua a ser um dos manda-chuvas na política paraibana. Ele tem se movimentado para tentar pavimentar a volta ao Senado em 2010.

Retorno à cena

Parlamentares envolvidos em denúncias de corrupção tentarão voltar ao cenário político na disputa eleitoral de outubro

 


SANGUESSUGAS

Benjamim Maranhão (PMDB-PB)
Investigado por suposto envolvimento na máfia das ambulâncias. É um dos nomes do PMDB para compor chapa com o PSB do prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, provável candidato à reeleição.

Enivaldo Ribeiro (PP-PB)
Presidente regional do PP na Paraíba, Ribeiro foi denunciado pela CPI dos Sanguessugas. O ex-deputado é possível candidato à prefeitura de Campina Grande.

Heleno Silva (PRB-SE)
O pastor e ex-deputado federal Heleno Silva, acusado de envolvimento com a máfia das ambulâncias, é uma das opções para a prefeitura de Socorro, município da região metropolitana de Aracaju.

Íris Simões (PR-PR)
O ex-deputado federal denunciado pela CPI dos Sanguessugas deve disputar uma vaga na Câmara Municipal de Curitiba, na chapa encabeçada pelo irmão Carlos Simões, que pode concorrer
à prefeitura.

João Grandão (PT-MS)
Denunciado pela CPI dos Sanguessugas, o ex-deputado federal João Grandão tem sido cogitado para disputar as eleições municipais em Dourados.

Nilton Capixaba (PTB-RO)
Apontado como um dos principais articuladores da máfia das ambulâncias no Congresso Nacional, Capixaba é réu na Justiça.
Ele articula para disputar a prefeitura de Cacoal.

Pastor Amarildo (PSC-TO)
Incluído na lista de parlamentares denunciados pela CPI dos Sanguessugas, o ex-deputado federal tem sido cotado para concorrer à prefeitura de Palmas.

Paulo Baltazar (PSB-RJ)
Denunciado pela CPI dos Sanguessugas por suposto envolvimento no esquema de fraudes em licitações com recursos da Saúde, Baltazar
é um dos cotados para concorrer à prefeitura de Volta Redonda.

 

 

 


MENSALEIROS

Anderson Adauto (PMDB-MG)
O atual prefeito de Uberaba foi acusado de receber dinheiro do
valerioduto, recursos repassados pelo empresário Marcos Valério com autorização do PT. Ele não admite disputar a reeleição, mas seu partido dá como certa a candidatura.

João Magno (PT-MG)
Réu no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) contra os 40 envolvidos no mensalão, Magno é um dos nomes cotados do PT para disputar a prefeitura de Ipatinga (MG).

Professor Luizinho (PT-SP)
Ex-líder do governo na Câmara, o deputado federal foi acusado de
receber dinheiro do mensalão e não conseguiu se reeleger em 2006.
Estuda disputar uma vaga na Câmara Municipal de Santo André (SP).


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